ESG & Sustentabilidade, Eventos
O TISFD Madrid Forum 2026 reuniu diversas organizações para analisar como as desigualdades geram riscos e oportunidades financeiras
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Madri, junho de 2026-. A TISFD (Taskforce on Inequality and Social-related Financial Disclosures) e a NFQ organizaram o TISFD Madrid Forum 2026, um encontro de alto nível realizado nos escritórios da NFQ. O evento reuniu representantes de mais de trinta organizações dos setores financeiro, empresarial, acadêmico e institucional em torno de uma questão que vem ganhando destaque na agenda dos mercados: Os altos níveis de desigualdade representam um fator de risco sistêmico para os investidores.

O evento foi inaugurado por Gabriela Ramos, copresidente da TISFD, e por Ana Garrido, em representação do Conselho Estadual de Finanças Sustentáveis do Ministério da Economia, cuja presença destacou o apoio institucional que essa iniciativa está recebendo na Espanha. Em sua intervenção, Garrido destacou o papel que os aspectos sociais desempenham na transição para uma economia mais sustentável:

“O Livro Verde para as Finanças Sustentáveis reconhece a importância dos aspectos sociais da transição climática e ambiental. A mobilização de capital para uma economia mais sustentável deve ser acompanhada por mecanismos que favoreçam uma transição inclusiva e ordenada.”

Ana Garrido, Conselho de Finanças Sustentáveis – Ministério da Economia

Gabriela Ramos abordou em profundidade a importância de colocar as pessoas no centro das decisões financeiras:

“Não se trata apenas de uma questão de equidade, mas de uma condição necessária para a estabilidade, a resiliência e o bom funcionamento de nossas economias e sociedades.”

Gabriela Ramos, copresidente da TISFD

Um evento que reflete o crescente interesse do setor


A diversidade e o perfil dos participantes são um dos aspectos mais reveladores do fórum. Estiveram presentes representantes de instituições financeiras de primeira linha, como BBVA, CaixaBank, Banco Santander, Bankinter, Unicaja e Sabadell, além de grandes corporações como Telefónica, Iberdrola, Acciona, Gestamp e Acerinox.

Também participaram organismos e associações de referência, como a Associação Espanhola de Bancos, a CECA, a SpainSIF, o Pacto Global da ONU na Espanha, a GRI, a Inverco, ICAC e o Sindicato das Comissões Operárias (CC.OO.), o que evidencia que o debate sobre a dimensão social nas finanças já transcende o âmbito estritamente empresarial para abranger sindicatos, reguladores, supervisores e organismos internacionais.

O quadro TISFD: da Europa para o mundo


A palestra principal ficou a cargo de Andrea Saldarriaga, diretora técnica da TISFD, que apresentou o Beta Framework: um quadro global de divulgação estruturado em torno de quatro pilares — governança, estratégia, impacto e gestão de risco, e métricas e objetivos — alinhado com seus padrões irmãos, o TCFD e o TNFD, e com os quais certamente compartilhará seu sucesso de implementação global, uma vez que foi concebido para trabalhar em harmonia com a CSRD, a CSDDD, bem como as normas do ISSB e, é claro, a própria GRI. O TISFD prevê a publicação de versões beta semestralmente até a aprovação do quadro definitivo, prevista para o final de 2027.

Saldarriaga destacou a importância do marco para as empresas europeias e seu alcance global:

“A TISFD tem uma vocação global e pretende contribuir para o fornecimento de informações e a gestão de riscos nas cadeias de valor relevantes para as empresas europeias, além de enfatizar e evidenciar a conexão entre os impactos sociais e suas consequências financeiras.”

Andrea Saldarriaga, Diretora Técnica – TISFD

O painel de especialistas: a desigualdade como risco que os mercados não podem ignorar


O painel de especialistas, moderado por Tomás Conde, diretor de ESG e Finanças Sustentáveis da NFQ e representante da AERI (Associação Espanhola para as Relações com Investidores), abordou, sob o título “A desigualdade como fator de risco sistêmico para os mercados e os investidores”, as implicações financeiras e estratégicas das desigualdades sociais. Participaram:

  • Beatriz Rubio, Chefe de Sustentabilidade Social da ILUNION
  • Regina Pálla, Subdiretora de Sustentabilidade da COFIDES
  • Mónica Malo, Subdiretora Geral da CECA
  • Laura Díaz, Head of People na Vecttor Grupo Cabify
  • Clara Barrabés, Responsável Global por Finanças Sustentáveis no BBVA

Entre os dados que marcaram o debate: 68% da população considera que a economia foi concebida para beneficiar os mais poderosos (IPSOS); as perdas financeiras associadas a impactos nos direitos humanos de doze grandes empresas somam 85 trilhões de dólares (Heartland Initiative, Wespath & Schroders); e uma redução da desigualdade de gênero poderia aumentar o PIB global dos países da OCDE em 9,2% até 2060.

A dimensão social como alavanca transformadora


As conclusões ficaram a cargo de Marcos Rodríguez, gerente de ESG & SF da NFQ, e de Andrea Saldarriaga, que destacaram a urgência de integrar as questões sociais nos marcos de divulgação financeira e de desenvolver métricas que permitam às empresas e aos investidores gerenciar esses riscos com eficácia. Rodríguez encerrou o fórum com uma declaração de compromisso:

“Na NFQ, temos convicção absoluta no poder transformador que reside na dimensão social. Por isso, não pouparemos esforços para garantir que a iniciativa TISFD passe a ser, daqui em diante, o carro-chefe da escalabilidade de nossos modelos de gestão corporativa.”

Marcos Rodríguez, Gerente de ESG & SF – NFQ

Evento completo

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